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Jornal do Sindieletro/MG: Terceirização – Risco na linha viva

8 de fevereiro de 2010, segunda-feira

 

Jornal do Sindieletro/MG, 8.2.2010

Diante das últimas medidas da diretoria da Cemig, é de se questionar como a empresa ainda pode dizer que é legalista? Dessa vez, a terceirização partiu em direção à linha viva. Dez equipes da empreiteira Selt estão assumindo os serviços em rede energizada no Anel Rodoviário, no São Gabriel, Betim e Sete Lagoas.

Para aumentar a ilegalidade, os eletricistas do quadro próprio foram encarregados de acompanhar e fiscalizar as equipes nas ruas, mas as turmas terceirizadas serão responsáveis, de fato, pela execução do serviço. A fiscalização é tão séria e requer tanto cuidado que só deve ser realizada por um corpo técnico ou por especialistas.

A terceirização da linha viva surpreendeu a direção do Sindieletro, que jamais cogitou que a Cemig pudesse adotar tal atitude, já que a decisão representa risco tanto para o trabalhado quanto para a população. O serviço todo é realizado com a rede elétrica ligada e qualquer erro pode ser fatal. Além disso, sempre foi dito por todos que o trabalho na linha vive contava com uma equipe ‘de ponta’ que realizava uma atividade altamente rentável para a Cemig.

A procuradora do Ministério Público do Trabalho (MPT), Luciana Coutinho, uma das titulares da ação civil pública movida a partir de denúncia do Sindieletro de ilegalidade nas terceirizações das atividades-fim na empresa, também foi surpreendida. “O avanço dessa prática é lamentável, porque temos o amparo de decisões judiciais que determinam que a terceirização é ilícita não só porque é feita na atividade-fim, mas, principalmente, porque a Cemig é uma sociedade de economia mista e deve contratar por meio de concurso público”, destaca.

Luciana Coutinho lembra que, de forma surpreendente, o Tribunal Superior do Trabalho deu efeito suspensivo a um recurso da Cemig na ação civil pública. Isso fez com que a empresa avançasse com mais terceirizações. Ainda segundo a procuradora, “o mais triste é que a experiência mostra como a terceirização na Cemig vem sempre acompanhada por uma precarização muito grande e graves acidentes de trabalho.”

Assim que soube da decisão, a direção do Sindieletro se reuniu com o superintendente de Distribuição da Cemig, José Aloise Ragone. Ele confirmou a terceirização da linha viva e desconsiderou os alertas do Sindicato. O coordenador geral do Sindieletro, Wilian Vagner Moreira, lamenta tal postura. Na sua opinião, Ragone só demonstrou a verdadeira estratégia da empresa de sucatear o setor de linha viva e o total descaso com a saúde e segurança dos trabalhadores. O Sindicato vai tomar as medidas cabíveis para evitar a terceirização da linha viva. Além disso, os trabalhadores já foram convocados a intensificar a mobilização e, segundo Wilian Vagner, eles não devem aceitar nenhuma pressão para acompanhar as equipes. “Essa não é a atribuição do eletricista de linha viva”, observou.

“Há muito tempo a Cemig vem agindo na ilegalidade e desconsidera as sentenças de primeira e segunda instâncias, que condenaram as terceirizações das atividades-fim na empresa”, critica Wilian Vagner. O coordenador afirma que o sucateamento do setor ocorre de forma contínua e por meio da recusa da empresa de repor material de trabalho, veículos e até uniformes. “Por que terceirizar se a Cemig sempre disse que a linha viva era o modelo a ser seguido?”, questiona.

Wilian Vagner lembra que a empresa alega preocupação com a saúde e segurança, mas no dia-a-dia, os trabalhadores convivem com acidentes graves e números recordes de mortes. “Só pode ter tem uma justificativa para isso, a de que deve haver muita gente ganhando com as terceirizações. Não são os trabalhadores, com certeza”, conclui.

 

 

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