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G1: Sem receber, funcionários de usinas de deputado federal protestam em MG

10 de janeiro de 2014, sexta-feira

 

Fonte G1: 10.01.2014

A semana era para ser de comemorações para o cortador de cana Cícero de Brito, mas os festejos tiveram que ser suspensos por falta de dinheiro. Na quinta-feira (9) o trabalhador completou 35 anos, mas como está desde novembro sem receber os salários, não havia motivos para festa. Ele presta serviços há oito meses na Usina Trialcool, localizada em Canápolis, no Triângulo Mineiro. Quase mil pessoas, que trabalham na usina do empresário e deputado federal João Lyra (PSD), de Alagoas estão na mesma situação do cortador de cana, segundo o sindicato da categoria.

O G1 tentou falar com o deputado e com pessoas ligadas às empresas, mas não obteve retorno. Por telefone, o assessor de pessoal do político, João Mouzinho, informou que quem poderia falar sobre o assunto seria somente a assessoria jurídica do Grupo Lyra. Foram mais de dez telefonemas e até às 19h desta sexta-feira (10), a reportagem não foi atendida. O Ministério Público do Trabalho (MPT) de Uberlândia é quem cuida do caso e marcou uma reunião para segunda-feira (13) para tentar fechar um acordo. Nesta quinta e sexta-feira (10) um grupo de trabalhadores se manifestou contra o atraso nos salários.

Cícero de Brito é do Maranhão e só foi para o Triângulo Mineiro devido à proposta de emprego. Ele largou a família no outro Estado e agora, segundo ele, não tem como voltar. “Eu não sei mais o que fazer. A empresa tem que pagar a rescisão, os salários e ainda as cestas básicas. É uma situação de calamidade o que eu e minha família estamos passando”, confessou.

O trabalhador disse ainda que a empresa se comprometeu a pagar os vencimentos nesta semana, mas nesta sexta-feira, o valor não havia sido depositado. Devido à situação, Cícero teve que ir para a porta da usina, pois nem dinheiro para o aluguel sobrou. “É um descaso com o trabalhador. A gente larga casa e família para tentar uma vida melhor e agora me vejo passando fome. Não sei mais o que fazer”, salientou.

Situação
A falta de pagamento aos funcionários atinge as usinas de açúcar Trialcool e Vale do Paranaíba, em Canápolis e Capinópolis respectivamente.

Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Canápolis, Gilmar Natal de Melo, quase mil pessoas estão aguardando o recebimento das verbas rescisórias. “A empresa prometeu que ia pagar e até agora nada”, disse.

Gilmar Natal contou que os trabalhadores estão vivendo em situações precárias e como a maioria é de outros estados, eles ficaram sem condições de retornarem às suas casas. “O sindicato já enviou ofícios para todos os órgãos competentes e estamos aguardando uma solução para este problema”, explicou.

Segundo Gilmar Natal, nesta sexta-feira (10) os trabalhadores da usina fizeram uma manifestação e até chegaram a bloquear rodovias. “O mais estranho que não é a primeira vez que isso acontece. Problemas com pagamentos vêm ocorrendo desde 2008. Resolve uma situação e aparece outra. Nem o fundo de garantia dos funcionários está depositado”, afirmou o presidente.

O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Capinópolis afirmou que no fim da semana passada a empresa pagou a rescisão dos trabalhadores imigrantes da usina Vale do Paranaíba e disponibilizou transporte para que eles pudessem retornar às cidades de origem. Apesar desses acertos, 300 funcionários da usina ainda continuam sem receber e estão em situação crítica. O órgão também afirmou que não sabe quando o pagamento ocorrerá.

Um dos funcionários do sindicato, que preferiu não se identificar, contou que Capinópolis está um completo caos. “A empresa não efetua pagamentos há dois meses, não pagou o 13º salário e não depositou o fundo de garantia. Ela ainda não paga impostos municipais há anos. Desconta e não repassa ao sindicato as contribuições sindicais, não paga os proprietários das terras e não honra nem mesmo os compromissos com fornecedores”, revelou.

Ainda segundo o denunciante, na véspera do pagamento das rescisões dos contratos dos trabalhadores migrantes do norte de Minas e Nordeste, os gerentes do grupo voaram para Alagoas sem dar nenhuma satisfação. Centenas de trabalhadores ficaram longe de suas famílias e sem dinheiro na véspera de Natal. “A fauna e a flora da região foi completamente devastada por desmatamento e queimadas provocados pelas empresas do grupo e ao longo de 12 anos a empresa nunca realizou nenhuma campanha sócio ambiental no nosso município”, afirmou.

Procedimento
Segundo o Ministério Público do Trabalho foi feito um acordo com a empresa do deputado para que os pagamentos ocorressem até o dia 3 deste mês. No entanto, o acordo não foi cumprido. Por causa disso, o MPT pediu a interdição total da empresa e a destituição de João Lyra como presidente.

Uma reunião foi marcada para a próxima segunda-feira (13), no período da tarde, na sede do MPT de Uberlândia com representantes dos trabalhadores e da usina. Na ocasião, o órgão tentará fechar novo acordo.

Manifestação
Centenas de trabalhadores da Usina Trialcool, localizada em Canápolis, protestam durante esta quinta e sexta-feira (10), na rodovia BR-365, devido aos atrasos nos pagamentos da rescisão de contrato, 13º e salários dos meses de novembro e dezembro. Os manifestantes ainda fecharam a entrada e saída da usina, fazendo um cordão humano e pedindo que os direitos deles fossem respeitados.

Segundo um funcionário da empresa, que não quis ter o nome revelado, os cortadores de cana cortaram as cercas e invadiram um escritório e um vestiário, onde um outro grupo está dormindo, tomando banho e utilizando a água. O homem informou também que há dias, ninguém da gerência aparece na usina. Nem os funcionários da recepção sabem o que fazer, pois eles não têm nenhum posicionamento.

 

 

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